
Narrado por Ana Carolina:
Eu não acredito que briguei com o Dê Poxa… Tadinho, ele é tão fofo comigo.
Adoro a casa do Mano, tem uma sacada com um balanço de madeira na frente. É um lugar maravilhoso pra se ficar, meio escuro, silencioso e fresco. Fiquei ali sentada balançando e pensando na vida, reparei até mesmo no por do sol. Me distrai por um momento e nem percebi que alguém estava se aproximando. Nem quis virar pra trás, poderiam ser os meninos passando e logo iriam embora. Eu estava um pouco abalada, queria ficar sozinha e parar de pensar no Dê um pouco. Ouvi os passos se aproximarem cada vez mais e só me importei de verdade quando ouvi umas batidas na madeira do balanço.
XxxX: Posso sentar aqui?
Aquela voz era realmente muito familiar. Quando virei pra trás e vi quem era senti uma alegria que nunca tinha sentido antes, só que não demonstrei e fiz o máximo para guardar pra mim. Não o respondi e virei minha cabeça pra frente, o que ele veio fazer aqui? Tinha me esquecido de como ele era lindo e de como aquele sorriso me faz sentir tão bem.
Ele se sentou ao meu lado, um pouco distante, mas perto o suficiente pra eu olhar nos olhos dele se quisesse. Independente disso continuei olhando pra frente, um ponto fixo no meio do nada só pra não me deixar levar pela situação. Ficamos em silêncio por bastante tempo até que ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, fazendo com que ele pudesse ver meus olhos.
Daniel: Por favor, me escute. - O tom da sua voz era tão doce e suave que eu não resisti, virei-me lentamente e olhei nos olhos dele.
Daniel: Eu sei que você tem grandes motivos para estar chateada comigo, o que eu fiz foi desnecessário e ridículo. Será que você poderia esquecer tudo isso e me perdoar?
Carol: Por que você fez isso? Devia ter confiado em mim.
Daniel: Eu sei, eu sei… Fui um idiota, mas me desculpa.
Fiquei olhando pra frente séria, tentando decidir o que fazer da vida enquanto ele continuou falando.
Daniel: Eu não sei te explicar. Toda vez que o Emanuel te abraçava e conversava com você me dava uma raiva. Acabei descontando essa raiva em você só que na mesma hora me arrependi. Então, aqui estou eu, pedindo pra minha Carolzinha voltar comigo.
Ele levantou e veio até a minha frente, se ajoelhou e abriu uma caixinha de joia com um anel dentro. OMG!
Daniel: Porque eu senti tanto a sua falta nesse pequeno tempo em que ficamos separados.. Quero assumir compromisso sério com você. Eu te amo.
Sério, eu não to acreditando que ele ta fazendo isso. Ele quer ser meu namorado, tipo… namorado mesmo! Como não sou nada discreta abri um puta sorriso e fiz ele se levantar. Mil coisas passaram pela minha cabeça, pensei em pular no pescoço dele e dar um beijo daqueles, pensei em fazer um discurso daqueles tipo: ‘Por que não casamos logo?’, pensei em dizer não brincando só pra assustar. Na verdade a única coisa que consegui fazer foi abraçar ele e sussurrar.
Carol: Eu aceito porque também te amo.
Ele colocou o anel no meu dedo e guardou a caixinha no bolso. Ficamos sentados no banco trocando beijos e abraços, claro que também conversamos bastante. Fiquei com sede e pedi pra ele ir buscar um copo de Fanta pra mim, sei que estava na casa do Mano mas isso não seria problema, somos tipo irmãos.
Enquanto o Dê foi pegar minha Fanta, fiquei sentadinha no banco. Acho que escutei alguém me chamando, mas se quiser falar comigo, você que venha até mim. Ouvi um barulho forte, fiquei muito brava por terem me assustado.
XxxX: Até que enfim te achei, Carolinda.
Carol: Que droga Mano, tomei o maior susto.
Emanuel: kkkk Tadinha.
Carol: Então, você me achou.. Que foi?
Emanuel: Eu vim ver se você tava melhor e…
O Dê apareceu atrás de mim com 2 copos de Fanta e encostou o queixo no meu ombro, bem fofo ele.
Emanuel: Ok, ja vi que você ta muito bem. To indo.
Odeio que fiquem de ironia pra cima de mim. Se tem algum problema fala na minha cara e diretamente, fica jogando indiretinhas ou ironiazinha.. Da até raiva.
Daniel: O que ele tava segurando?
Carol: Eu sei la, por que?
Daniel: Vi ele segurando alguma coisa, meio que escondendo.
Carol: Hm.. Eu não vi nada.
Daniel: Ele ia te dar alguma coisa.
Carol: Pergunta pra ele ué, eu não sei de nada.
Ficamos la fora mais um bom tempo, tomando refrigerante e conversando sobre coisas bobas da vida.
WHAT THE FUCK? E eu achando que ela ia ligar para bombons de cereja, muito idiota da minha parte.
Joguei a caixa na mesa com raiva e subi para o quarto. Entrei no chuveiro e fiquei la pensando no que fazer para me livrar de todos esses aborrecimentos e inconvenientes. Depois do banho fui pra cama e fiquei escutando música… acabei dormindo.
No dia seguinte acordei relativamente cedo, comparado com os outros dias no meu estado normal. Por incrível que pareça ja tinha alguém acordado e estava tomando banho no banheiro do corredor. Foi super fácil descobrir que era o Denilson dentro do banheiro.
Isso aqui ja ta virando puteiro, casa da mãe Joana, sei la.. Quem ele pensa que é?
Não perdi tempo e fui correndo mexer no registro de água. Como o dia estava nublado e frio ele só podia estar tomando banho de água quente. Ao mexer no registro, deixei a água do chuveiro dele umas 5 vezes mais quente do normal. Engraçado foi ouvir o grito de dor dele. Ai ai, nada como um pouco de diversão pela manhã.
Quando cheguei na cozinha a Mara estava lá, preparando o café da manhã.
Mara: Bom dia, vamos fazer alguma receita com canela hoje?
Emanuel: Hoje não Mara, hoje não… kkkkkkk
Olhei para o lado e vi a Marina e o Bruno descerem as escadas juntos, sorridentes e com cara de quem tinha acabado de levantar. O que me irritou mesmo foi essa última parte, se o Bruno tava com ‘cara de quem tinha acabado de levantar’ ele provavelmente dormiu la em cima… Não é possível, mulher gosta de contrariar.
Emanuel: Ele dormiu aqui?
Marina: Então…
Bruno: Dormir? Eu não diria bem isso.
Minha paciência é bem curta então é bom não colocá-la a prova. Não me contive e desci um soco de direita na cara dele. Acho que acertei o nariz porque meus dedos doeram, ele começou a sangrar, a Marina ficou gritando comigo mas uma coisa fez tudo isso perder a importância: Carolinda descendo as escadas com aquele rosto de anjo dela. Linda é muito pouco pra te elogiar. Eu fiquei reparando em cada pequeno detalhe dela, os gestos que ela fazia e a forma como andava. Ficou muito na cara que eu estava em outro mundo quando a Marina me deu uma porrada no braço e voltou a gritar comigo.
Marina: Pede desculpas pra ele, agora. - Olhei pra ela um pouco atordoado com o choque de realidade que levei e fiquei buscando palavras pra mandar todo mundo se fuder de um jeito educado.
Bruno: Estou indo embora, preciso de um médico. - Esse cara é comediante, só pode…
O bom é que ele foi embora, a Marina parou de gritar comigo e desistiu mesmo de me fazer aceitar o Bruno. Só sobrou a Carol parada na escada, olhando pra situação com cara de boba tentando entender alguma coisa. Subi uns 3 degraus para ficar na mesma altura e dei um beijo no rosto dela de bom dia.
Emanuel: Bom dia.
Carol: Bom dia Mano, dormiu bem?
Emanuel: Dormi sim, Carol. E você? - Tem dias que tudo se vira contra você. O Denilson chegou descendo as escadas por trás da Carol e colocou o braço envolta da cintura dela. Ele tava sem camisa e todo vermelho, acho que ele sabia que eu tinha alguma coisa a ver com o incidente do chuveiro e queria me torturar mostrando que a Carol era dele.
Daniel: Ela dormiu muito bem, te garanto.
Emanuel: Imagino.. - Dei um sorriso forçado pra Carol e resolvi subir pro meu quarto, meu nível de ciúmes ja estava chegando na ironia.
Mal fechei a porta do quarto e fui surpreendido pela música Tonight(I’m fucking you) do Enrique Iglesias… Wow, é o meu celular que está tocando! Nem reparei no número e ja atendi.
Emanuel: Opre - Eu tinha um jeito meio retardado de atender o celular, mas tudo bem.
XxxX: Bom dia flor do dia. - WTF?
Emanuel: Quem é?
Bárbara: É a Babi, poxa. Esqueceu da minha voz foi, lindo?
Emanuel: Ah Babi.. Não esqueci não, tava distraído, me perdoa.
Bárbara: Só desculpo porque te amo.
Péssimo jeito de começar o dia: Falando no celular com a louca da Babi.
Bárbara: Não sei se a Carol te contou mas vai ter a minha festa de 15 anos.
Emanuel: É, to sabendo…
Bárbara: Então, eu estou te convidando pra ser o meu príncipe.
Emanuel: O que? - Príncipe de festa de 15 anos não é aquele negócio que todo Colírio da Capricho é contratado pra ser e as menininhas ficam todas histéricas envolta dele? Maldição, não sei o que responder pra ela. Nesse momento a Marina entrou no quarto e ficou me olhando com cara de brava, só de sacanagem eu falei em alto e bom tom.
Emanuel: Claro que vou ser seu príncipe, com o maior prazer.
Marina: O QUE? - Fiz sinal pra Marina ficar em silêncio e apontei pro telefone, estava correndo sérios riscos de apanhar por causa dessa ousadia kk
Emanuel: Agora tenho que desligar, beijos.
Desliguei o celular e olhei pra Marina insinuando que agora ela poderia falar, ela estava me olhando desconfiada, muito irritada.
Marina: Quem era no telefone?
Emanuel: Uma amiga, por que?
Marina: Nada, precisamos conversar.
Emanuel: Fala.
Marina: Por que você bateu no Bruno?
Emanuel: Ele é ridículo, viu o jeito que ele falou contigo? Não vou deixar isso acontecer e acho até que ele nem gosta de você.
Marina: Essa questão de gostar ou não gostar deixa que eu cuido ta?
Emanuel: Ta bom, vou continuar socando ele.